Tarot funciona mesmo? Depende do que você quer dizer com funcionar

· 8 min de leitura · por Rafael · Tarot

Se funcionar é acertar o que vai acontecer, não é isso que eu faço. Se funcionar é sair com nome e contorno para o que você está vivendo, é isso que uma leitura costuma dar. O baralho é embaralhado ao acaso, o efeito Barnum existe e aparece em leitura, e eu não conheço teste que mostre carta acertando o futuro. O que a leitura oferece é uma imagem para você pensar em voz alta e uma escuta atenta ao que você diz sem querer. Dá para consultar sem acreditar em nada.

Tarot funciona mesmo? Depende do que você quer dizer com funcionar

Se funcionar é acertar o que vai acontecer no mês que vem, não é isso que eu faço e não é isso que eu ofereço. Se funcionar é sair da leitura conseguindo dizer com palavra própria aquilo que você já estava vivendo sem conseguir nomear, é isso que costuma acontecer na mesa.

Essa pergunta chega quase toda semana no meu privado, e a resposta muda dependendo do que a pessoa quer dizer com funcionar. O que uma leitura entrega é ferramenta simbólica: uma imagem antiga posta na sua frente, para você reconhecer a sua situação por outro ângulo e expandir a visão do que está acontecendo. Escrevi sobre esse giro em o tarot não prevê, ele pergunta.

Sim, o baralho é embaralhado ao acaso

A ordem em que as cartas caem vem do embaralhamento, e eu não tenho como dizer outra coisa sobre isso. O que faz a leitura render não está na ordem: está no que você faz com a imagem que ficou na sua frente.

A Lua, por exemplo. Dois cães uivando para um céu de gotas, um caminho que some entre duas torres, um caranguejo saindo da água. Não é um recado sobre o seu mês: é uma paisagem em que você pode reconhecer alguma coisa sua.

É comum que a pessoa olhe essa carta e diga, antes de eu falar qualquer coisa: essa aí é o meu trabalho. A partir daí a conversa deixa de ser sobre a carta e passa a ser sobre o que, no trabalho dela, anda com pouca luz.

O efeito Barnum tem nome e cabe aqui

Existe um jeito de uma frase parecer feita sob medida quando na verdade ela foi feita larga. A frase você é mais exigente consigo do que com os outros cabe em muita gente, e por isso soa certeira. Isso se chama efeito Barnum, e aparece em leitura de carta como aparece em teste de personalidade de internet.

Nomear isso não derruba a leitura: muda o que você pode cobrar dela. Uma leitura rende quando fala da sua situação com detalhe que só serve para ela: a conversa que você adia desde março, a frase que você repete e não cumpre, o nome que você evita dizer em voz alta.

Acontece de alguém ouvir uma descrição e responder, meio de lado: isso serve para muita gente. É uma boa hora para eu parar e perguntar onde, na semana dela, aquilo aparece com endereço. Se o que você ouviu caberia em muita gente na fila, ainda não era sobre você, e dá para dizer isso no meio da leitura.

A carta empresta a imagem. Quem coloca endereço nela é você.

Não conheço teste que meça isso

Não conheço teste que mostre carta acertando o que vai acontecer, e não é isso que eu ofereço. O que dá para descrever é outra coisa: você olha uma imagem antiga e ela puxa de você uma fala que ainda não tinha saído.

Tem gente que ouve isso e perde o interesse, o que é justo. Tem gente que ouve e diz que era exatamente disso que estava precisando: um lugar para pensar em voz alta, com alguma coisa concreta na frente para organizar o pensamento.

É comum que alguém veja a Torre, com a coroa saltando do topo e os corpos no ar, e diga num tom quase aliviado: ah, essa aí já caiu faz tempo. A carta não anunciou queda alguma. Ela deu forma a uma coisa que a pessoa já carregava e ainda não tinha posto em palavra.

As figuras também não nasceram ontem. São imagens que passaram por muitas mãos antes de chegar à sua, e essa é parte da força delas: você não está olhando um desenho feito para o seu caso, está diante de uma imagem larga o bastante para caber em situações muito diferentes e estreita o bastante para incomodar em algum ponto.

A escuta é onde o trabalho acontece

A escuta psicanalítica ensina uma coisa simples: aquilo que a gente diz sem querer costuma dizer muito. Presto atenção tanto às cartas quanto ao modo como cada pessoa as lê. O que ela pula, o que repete três vezes, onde a voz muda de tom.

A imagem ambígua ajuda justamente por ser ambígua. Ela não fecha o sentido, então sobra espaço para você preencher, e o que você escolhe para preencher costuma ser a informação mais útil da consulta. Falo com mais calma desse encontro em tarot e psicanálise.

Acontece de a pessoa parar diante do Enforcado, pendurado pelo pé, de cabeça para baixo e com o rosto calmo, e dizer: eu sei que precisava sair dessa, mas ainda não é hora. A frase inteira costuma estar no mas, e é para lá que a leitura vai.

Uma pergunta viva rende mais que uma pergunta fechada

A pergunta é a bússola da tiragem. Uma pergunta como ele vai voltar? costuma travar a conversa, porque admite duas respostas e as duas ficam fora do seu alcance. Já o que eu estou sustentando nessa espera? abre a mesma situação e devolve o assunto para as suas mãos.

O Dois de Espadas ajuda a enxergar isso. Uma pessoa vendada, sentada de costas para a água, duas lâminas cruzadas no peito. É comum ouvir, diante dessa imagem: eu já sei o que eu quero, só não quero ser eu a decidir. Quando essa frase sai em voz alta, a leitura já mudou de lugar.

Formular assim não é condição para entrar na consulta: é o que costuma render mais em meia hora. Quando a pergunta ainda está embaralhada, dá para começar contando a situação, que a pergunta costuma aparecer no meio do caminho.

A sua descrença cabe na leitura

Não precisa acreditar em nada para sentar na mesa. Muita gente chega à primeira consulta sem saber o que esperar, e isso é ótimo: sem expectativa montada, sobra espaço para a pergunta de verdade aparecer.

Acontece de a pessoa avisar logo no começo: eu vim por curiosidade, não acredito nisso. Costuma render uma das conversas mais diretas do dia, porque ela não está esperando que a carta resolva a vida dela. Está olhando junto comigo.

Você pode sair de uma leitura discordando de mim e ainda assim ter levado alguma coisa. Acontece bastante, e para mim está de bom tamanho.

Por onde começar, se quiser experimentar

É comum alguém abrir a leitura dizendo que não sabe nem por onde começar, e a primeira carta já dar assunto. Diante do Louco, com a trouxa no ombro e o pé perto da borda do penhasco, a frase que costuma sair é: é assim que eu estou, meio no ar.

Na vitrine de leituras as tiragens estão descritas pela situação que elas olham. O nome da tiragem é só um rótulo: escolha pela frase que descreve o que você está vivendo agora. A Desjejum custa R$ 37 e é uma porta pequena para experimentar o formato.

Se o que você quer é perguntar de volta enquanto a leitura acontece, a menor porta com alguém do outro lado no mesmo instante é a consulta de 30 minutos pelo WhatsApp, por R$ 157. Meia hora rende bem quando você já chega sabendo qual é o assunto.

Se essa for a sua primeira leitura online, deixei em outro texto o que costumo olhar na hora de escolher com quem fazer uma leitura à distância.

Funcionar, aqui, tem uma medida modesta e verificável por você mesmo: no fim da leitura, dá para dizer com as suas palavras aquilo que antes só dava para sentir? O que, em você, está pedindo nome agora?


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Perguntas frequentes

Tarot tem comprovação científica?

Não conheço teste que mostre carta acertando o que vai acontecer, e não é isso que eu ofereço. O que dá para descrever é o que acontece na conversa: você olha uma imagem antiga e nomeia o que já estava acontecendo em você. Isso não é medida de laboratório, é efeito verificável por quem viveu a leitura.

O que é efeito Barnum e isso vale para o tarot?

É quando uma frase larga o bastante para caber em muita gente soa como se fosse feita sob medida para você. Vale para leitura de carta como vale para teste de personalidade. O critério prático é o detalhe: se o que você ouviu fala da sua situação com endereço, data e nome, era sobre você. Se caberia em muita gente na fila, ainda não era.

Se as cartas são aleatórias, como a leitura acerta?

A ordem vem do embaralhamento, e a leitura não se propõe a acertar um evento. O que ela faz é organizar: a imagem que caiu vira apoio para você olhar a sua situação por um ângulo que sozinho é difícil de alcançar. O sentido de uma carta é para aquele sujeito, naquela pergunta, naquela posição da tiragem.

Dá para consultar sem acreditar em nada?

Dá, e é comum. A sua descrença cabe na leitura sem problema, e costuma até ajudar, porque você chega prestando atenção no que está sendo dito em vez de esperar um veredito. Você pode sair discordando de mim e ainda assim ter levado alguma coisa.

Qual leitura serve para quem quer só experimentar?

A Desjejum, por R$ 37, é a porta menor: dá para conhecer o formato sem se comprometer com muito. Se você quiser perguntar de volta enquanto a leitura acontece, a consulta de 30 minutos pelo WhatsApp custa R$ 157.

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