Que perguntas fazer no tarot: as que abrem a leitura e as que travam
A pergunta que devolve você para você mesmo abre a leitura. A que entrega a decisão para outra pessoa, para o futuro ou para a carta costuma travar. Ele vai voltar rende pouco, o que eu ainda espero dele rende a leitura inteira, e é a mesma dúvida escrita de outro jeito. Aqui estão doze perguntas que abrem, doze que travam com a versão reescrita ao lado, o que fazer quando a pergunta é de sim ou não, e como perguntar sobre outra pessoa sem falar no lugar dela.
O tarot não responde o que a outra pessoa vai fazer. Ele devolve uma imagem antiga para você olhar de fora o que já está acontecendo aí dentro, e a pergunta que você escreve é o que decide o tamanho dessa imagem.
A pergunta que abre a leitura costuma ter verbo na primeira pessoa e tratar de alguma coisa que ainda dá para mexer amanhã. A que trava entrega a decisão para outra pessoa, para o futuro ou para a carta. Ele vai voltar rende pouco. O que eu ainda espero dele rende a leitura inteira, e é a mesma dúvida escrita de outro jeito. Tem mais sobre esse giro em o tarot não prevê, ele pergunta.
A pergunta já é metade da leitura
Quando a pergunta chega antes da consulta, eu leio duas coisas nela: o assunto e o lugar onde a pessoa se colocou dentro do assunto. Tem pergunta que chega como quem entrega o processo para o juiz decidir, e tem pergunta que chega como quem abre uma porta e quer saber o que tem do outro lado. As cartas são as mesmas nos dois casos: o que muda é o que dá para fazer com elas.
É comum que alguém chegue com a pergunta pronta e mude de pergunta na terceira carta. O Enforcado aparece, pendurado de cabeça para baixo com uma perna dobrada e uma calma estranha no rosto, e a pessoa diz, meio rindo: eu vim falar de trabalho, mas isso aí é a minha mãe. O que escapa desse jeito costuma ser o que ela veio perguntar.
A pergunta que dá um pouco de medo de escrever costuma ser a certa.
Doze perguntas que abrem a leitura
Elas raramente são bonitas. As que rendem quase não são: têm verbo na primeira pessoa, cabem em uma linha e tratam de alguma coisa que ainda está em movimento.
Amor e vínculo
O que eu ainda espero dessa pessoa, e o que eu já desisti de esperar? Separa o que ainda está vivo do que virou hábito.
O que eu deixo de dizer nessa relação para não perdê-la? A resposta costuma morar exatamente nesse buraco.
Que parte de mim aparece quando estou com ele, e eu não gosto de ver? Difícil de escrever, e das que mais rendem em cima da mesa.
O que eu preciso para conseguir ficar mais uma semana sem resposta? Para quem está esperando e quer atravessar a espera inteira.
Trabalho e dinheiro
O que me segura nesse emprego além do salário? Dar nome a isso costuma mudar a conversa sobre pedir demissão.
Que preço eu venho pagando por deixar como está? A inércia também cobra, só que parcelado.
O que eu chamo de estabilidade, e o que é só familiaridade? Palavras parecidas, vidas bem diferentes.
Se eu recusasse essa proposta, o que eu sentiria no primeiro segundo, antes do medo? O primeiro segundo costuma ser o mais sincero.
Decisão e travamento
O que eu já sei e ainda não quis olhar? A mais incômoda das doze, e a que mais destrava.
O que muda em mim se a resposta for não? Serve para a maioria das dúvidas que chegam por aqui.
Que escolha eu faria se não tivesse que dar satisfação a mais alguém? Tira a plateia da sala por alguns minutos.
O que eu não estou enxergando aqui? Genérica, e ainda assim rende quando vai junto de uma tiragem que cerca o assunto, como a tiragem do ponto cego.
É comum que a pessoa leia a própria pergunta em voz alta antes de eu virar a primeira carta e pare no meio. O Dois de Espadas está ali, sentada de olhos vendados com duas lâminas cruzadas no peito, e ela diz: acho que eu já sei, eu só não quero saber. A leitura começa aí.
Doze perguntas que travam, e a versão que rende
Toda pergunta travada costuma ter uma pergunta viva embaixo. A reescrita costuma ser a mesma operação: tirar o outro do lugar de sujeito e colocar você.
Amor
Ele vai voltar? Vira: o que eu ainda espero dele, e o que eu já desisti de esperar? Essa dúvida tem um post inteiro em ele vai voltar.
Ele me ama? Vira: o que ele faz que eu leio como amor, e o que eu não consigo mais ler assim?
Ele está me traindo? Vira: o que eu vi e não consigo esquecer?
Quando eu vou casar? Vira: o que hoje me atrapalha na hora de construir vínculo?
Trabalho e dinheiro
Vou passar no concurso? Vira: o que eu venho fazendo com o tempo que separei para estudar?
Devo aceitar a proposta? Vira: o que eu perco em cada um dos dois cenários?
Quando eu vou ficar rico? Vira: qual é a minha relação com dinheiro, e de quem eu herdei ela?
O que as cartas querem me dizer? Vira: sobre o que eu preciso falar e ainda não falei?
Medo e desconfiança
Alguém fez alguma coisa contra mim? Vira: o que anda pesando, e desde quando?
Ela está pensando em mim? Vira: o que muda para mim se a resposta for sim, e o que muda se for não?
Posso confiar nela? Vira: o que ela já fez que eu decidi deixar passar?
É doença? Eu vou ficar bom? Essa eu devolvo na hora: é pergunta para o médico, e é por aí que eu começaria.
É comum que o Seis de Copas apareça numa dessas, duas crianças no pátio e uma flor branca passando de uma mão para a outra, e a pessoa diga baixinho: acho que eu não quero ele de volta, eu quero aquele tempo de volta. Isso já é leitura, e começou numa pergunta que parecia fechada.
Sim ou não: dá para perguntar, e rende pouco
Dá para perguntar, e costuma ser o formato que menos rende. A carta é imagem, posição na mesa e relação com as outras cartas: o sim precisa ser espremido para fora dela, e o que sai é uma frase que a pessoa repete por dois dias e esquece. Quando a leitura pesa os dois pratos, o que se ganha e o que se perde em cada caminho, sobra material para semanas.
É comum que a Roda da Fortuna apareça, com os bichos subindo e descendo na borda, e a pessoa pergunte: então é sim? Costumo devolver a pergunta: sim para qual das duas coisas que você está querendo ao mesmo tempo?
Quando a pergunta fechada insiste, tem um caminho que costuma render: escreva a pergunta em cima e, embaixo, o que você faria se a resposta fosse sim e o que faria se fosse não. Se as duas linhas ficarem iguais, a decisão já está tomada e a pergunta é ansiedade pedindo companhia. Se ficarem diferentes, apareceu a decisão de verdade, e é essa que vale levar para a mesa.
Perguntar sobre outra pessoa
Sobre a sua relação com ela, sim, e rende bastante. Prefiro não falar no lugar de quem não está na mesa: o que eu leio é o que essa pessoa mexe em você. Na prática, quem quer saber o que o outro sente costuma estar decidindo se continua, se cobra ou se some, e essas três são suas.
É comum que a Lua apareça nessas conversas, com o caminho subindo entre as duas torres e o cachorro latindo para o céu, e a pessoa diga: eu queria saber o que passa na cabeça dele. Costumo perguntar o que ela faria de diferente amanhã com essa informação na mão. A resposta a essa altura já é a pergunta boa.
Vale o mesmo para filho, mãe, sócio, chefe. Em vez de perguntar o que meu filho sente, experimentar: o que eu não estou conseguindo perguntar para ele?
Quantas perguntas cabem em uma leitura
Menos do que parece, e isso joga a seu favor. Uma pergunta bem escrita costuma render mais do que três mal escritas, e as três com frequência são a mesma ansiedade repartida em trabalho, amor e dinheiro. Na leitura escrita, uma pergunta sai por R$57 e duas por R$77. Se as duas forem a mesma dúvida dita de dois jeitos, uma já resolve e sobra espaço para outra coisa que você nem sabia que ia perguntar.
Acontece de as três chegarem juntas e a mesma carta aparecer nas três: o Três de Espadas, o coração atravessado debaixo da chuva. Aí é a própria pessoa que lê em voz alta e diz: é tudo a mesma coisa, né?
Quando o assunto já tem nome, uma tiragem temática costuma dar conta sozinha: são leituras montadas para uma situação específica, de R$37 a R$97, e dá para escolher pela frase que descreve o que você está vivendo na vitrine de leituras. Quando você quer perguntar de volta enquanto a leitura acontece, aí é ao vivo: 30 minutos no WhatsApp por R$157.
Escrever a sua
Uma frase só
Se a pergunta precisou de três linhas, o ponto ainda não apareceu. O contexto cabe embaixo, separado: eu não preciso dele para tirar as cartas, e ele muda bastante o jeito como eu escrevo a leitura.
Ler em voz alta
A frase que dá um pouco de vergonha de ouvir na própria voz costuma ser a que interessa. Anote a que fizer o corpo reagir e mande essa.
Tirar o nome do outro do sujeito
Se a pergunta começa com ele, ela ou eles, experimentar recomeçar com eu. O assunto continua exatamente o mesmo, e a leitura passa a ter onde pegar.
Chegar travada também vale
Acontece de a pergunta chegar como não sei mais o que fazer, e sair leitura inteira. É comum que o Oito de Espadas apareça nessas, a figura amarrada e vendada, com espadas espetadas em volta e o chão livre bem na frente dos pés, e a pessoa diga: eu sei que dá para sair, eu só não sei por onde. Confusão bem descrita é material de sobra.
Se for a sua primeira vez, o que acontece antes, durante e depois está descrito em como se preparar para a primeira consulta. Você pode chegar sem acreditar em nada, e a sua dúvida cabe na leitura do mesmo jeito.
Se a pergunta já está formada aí, ela costuma estar pronta do jeito que está. O que, em você, está pedindo para ser dito em voz alta antes de virar a primeira carta?
Perguntas frequentes
Qual é a melhor forma de perguntar ao tarot?
Uma frase curta, na primeira pessoa, sobre alguma coisa que ainda dá para mexer. Começar com o que eu costuma render mais do que quando ele ou se ela, porque devolve a pergunta para o lugar onde você tem alguma coisa na mão.
Posso fazer pergunta de sim ou não?
Pode. É o formato que costuma render menos, porque a carta é imagem, posição e relação com as outras, e o sim precisa ser espremido para fora dela. Se a pergunta fechada insistir, escreva embaixo o que você faria em cada resposta: aí aparece a decisão que vale levar para a mesa.
Posso perguntar sobre outra pessoa?
Sobre a sua relação com ela, sim, e rende bastante. Prefiro não falar no lugar de quem não está na mesa: o que eu leio é o que essa pessoa mexe em você e o que você faz com isso.
Quantas perguntas cabem em uma leitura?
Na leitura escrita, uma pergunta por R$57 ou duas por R$77. Se as duas forem a mesma dúvida dita de dois jeitos, uma já resolve e sobra espaço para outra.
Preciso escrever a pergunta antes da consulta?
Ajuda, e não é obrigatório. Acontece de a pergunta chegar como não sei mais o que fazer, e a gente formular junto enquanto as primeiras cartas vão para a mesa.