Tarot terapêutico: o que é, como funciona na prática e para quem não serve

· 8 min de leitura · por Rafael · Psicanálise

Tarot terapêutico é uma leitura em que a carta serve de ponto de partida para você falar, e não de veredito sobre o que vem pela frente. A conversa começa pela imagem, e o que rende é o que você faz com ela: a palavra escolhida sem querer, a frase que fica pela metade, o assunto que aparece e some. Costuma ajudar quem tem uma escolha na mão e quer entender o que está em jogo nela. Rende pouco quando o que se procura é garantia, e não substitui psicoterapia nem médico. Ao vivo: 30 min R$157 · 60 min R$197 · videochamada R$257.

Tarot terapêutico: o que é, como funciona na prática e para quem não serve

Tarot terapêutico é uma leitura em que a carta serve de ponto de partida para você falar, e não de veredito sobre o que vem pela frente. A imagem antiga entra na mesa para dar nome ao que já está acontecendo em você e expandir a visão de uma situação que ficou apertada demais para ser pensada sozinha.

Costuma render bem para quem tem uma escolha na mão e quer entender o que está em jogo nela. Rende pouco quando o que se procura é garantia sobre o futuro, e não serve como tratamento de saúde mental: quando o assunto é sofrimento que atrapalha dormir, comer e trabalhar, o começo é psicoterapia ou médico.

A carta entra como pergunta

É comum que alguém veja a Lua, com o caminho de terra entre duas torres e o cão latindo para o céu, e diga, meio rindo: essa aí é a minha cabeça às três da manhã. A frase costuma valer mais do que a carta, e é atrás dela que a leitura vai. O que eu faço em seguida é perguntar o que acontece na cabeça dela às três da manhã.

Presto atenção tanto às cartas quanto ao modo como cada pessoa as lê. Uma palavra escolhida sem querer, uma frase que fica pela metade, um riso fora de hora: é por aí que costuma aparecer onde a imagem encostou. A escuta psicanalítica ensina que aquilo que dizemos sem querer costuma dizer muito.

Interpretar a carta ou escutar o que você faz com ela

A mesma carta produz cenas diferentes na mesa. Diante do Enforcado, pendurado pelo pé de cabeça para baixo, com o rosto calmo, tem gente que respira aliviado e tem gente que endurece o ombro e muda de assunto na hora. O sentido daquela carta é o que aquela pessoa faz com ela, naquela pergunta, naquele dia.

A carta não sabe nada sobre você. O que você faz com a carta, sabe.

É daí que vem a parte psicanalítica do meu trabalho, que eu descrevo com palavra simples em tarot e psicanálise: reparo no que salta aos olhos, no que incomoda e no que se evita olhar. Com frequência a pergunta muda de forma no meio do caminho. Em vez de ele vai voltar, aparece outra: o que, em você, quer que ele volte?

Não precisa acreditar em nada para sentar na mesa

Muita gente chega a uma leitura terapêutica sem saber o que esperar, e isso costuma ajudar. A sua descrença cabe na conversa sem problema: dá para olhar a imagem, dizer o que ela lembra e ver o que sai daí, mesmo achando que é só um desenho antigo impresso em papel.

Você pode sair de uma leitura discordando de mim e ainda assim ter levado alguma coisa. Acontece bastante, e o que costuma ficar é a frase que você mesmo formulou enquanto olhava uma carta.

Tarot terapêutico online muda alguma coisa

A comparação mais comum é online contra presencial. Para mim a diferença que pesa é outra: tem alguém do outro lado no mesmo instante que você, ou não? No WhatsApp ao vivo e na videochamada tem, e é isso que deixa você parar no meio e dizer: espera, essa carta aí me incomodou.

De casa, com a porta fechada, muita gente fala de um jeito que não falaria numa sala com mais alguém por perto. Diante da Estrela, nua, ajoelhada entre a terra e a água, vertendo dois jarros sem medir, é comum a pessoa baixar a voz e dizer o que anda regando sem perceber. Esse tipo de frase costuma chegar mais cedo quando você está no próprio sofá.

Como funciona na prática

A pergunta que você traz

Antes das cartas, eu costumo perguntar por que essa dúvida chegou agora, e não em março. Acontece de a resposta já reorganizar metade da consulta: uma data que voltou, uma conversa da semana passada, uma conta que venceu. É comum ouvir, ainda nessa parte, um eu não tinha pensado nisso desse jeito.

As cartas na mesa

Cada carta aparece descrita primeiro pela imagem: quem está ali, o que segura, para onde olha. Depois a pergunta volta para você: onde isso encosta na sua situação? Diante dos Amantes, com as duas figuras lado a lado e a mão aberta do anjo em cima, é comum a pessoa dizer que a escolha ali não é entre duas pessoas, é entre duas versões dela.

Daí para a frente a leitura fica dividida entre nós dois. Você fala, eu marco o que se repete: a mesma palavra em três respostas, o assunto que aparece e some, o ponto em que a voz baixa. É esse desenho que costuma organizar a situação, mais do que a soma dos significados das cartas.

O que fica ressoando depois

O efeito de uma leitura raramente termina quando a chamada acaba. Na maioria das vezes, o que volta nos dias seguintes é uma frase que a própria pessoa disse em voz alta, e não a interpretação de uma carta. Anote o que ficar ressoando: com frequência é ali que a decisão vai se formando, sem pressa.

Quando essa leitura não é o caminho

Quando o que você procura é garantia

Se o que resolveria a sua semana é alguém dizendo com certeza que o emprego sai em setembro, essa leitura vai frustrar. Diante da Roda da Fortuna, com a roda girando e as figuras presas nas bordas, é comum alguém perguntar direto: então vai melhorar? O que eu costumo devolver é outra coisa: o que, em você, já está pronto para o caso de melhorar?

Quando o sofrimento está apertando agora

Ansiedade que não deixa dormir, luto recente, crises de pânico, pensamentos de morte: tarot não é psicoterapia e não substitui acompanhamento médico. Se é isso que você está vivendo, é por aí que eu começaria, e falei desse limite em tarot e ansiedade e em tarot substitui terapia.

Quando você quer que a decisão saia da sua mão

Acontece de a pessoa chegar pedindo que eu decida: fico ou saio? O que costuma render é olhar os dois lados com calma, o que cada um custa e o que cada um abre, e a escolha continua sendo sua no fim. Diante do Dois de Espadas, vendada, com as duas lâminas cruzadas no peito, é comum ouvir que ela já sabe, só não queria saber.

Quando a dúvida é de outro ofício

Processo na justiça, exame para interpretar, dívida para renegociar: aí o que resolve é advogado, médico ou contador. A leitura pode ajudar a entender o que trava você na hora de tocar no assunto, e ela não faz o trabalho de quem estudou aquilo.

Vale a pena, e o que está incluído no preço

O que você paga não é a interpretação de cinco cartas: é o tempo de alguém escutando você falar sem pressa e devolvendo o que aparece. Meia hora rende bem quando você já chega sabendo qual é o assunto. Uma hora rende mais quando três temas estão embolados no mesmo nó e você quer desmanchar o nó antes de decidir.

Ao vivo pelo WhatsApp: 30 min R$157 · 60 min R$197. Videochamada, para quando você quer ver as cartas na tela enquanto conversamos: R$257. Dá para marcar horário pelo site.

Leitura escrita: se marcar horário for a parte difícil da sua semana, ela chega em áudio e foto das cartas, em até 24 horas, sem hora marcada. 1 pergunta R$57 · 2 perguntas R$77 · 3 perguntas objetivas R$115. Você troca a chance de perguntar de volta na hora por um material que fica salvo para ouvir de novo.

Se a dúvida continuar, comece pelos 30 minutos, que é a menor porta em que ainda dá para perguntar de volta enquanto a leitura acontece. O que, em você, está pedindo para ser dito em voz alta agora?


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Perguntas frequentes

O que é tarot terapêutico?

É uma leitura conduzida como conversa, em que a carta serve de ponto de partida para você falar da situação que trouxe. O foco fica no que a imagem move em você e no que dá para reconhecer da sua vida a partir dela.

Qual a diferença para uma leitura comum?

Numa leitura mais direta, você recebe o sentido das cartas para a sua pergunta. Na terapêutica, boa parte do tempo vai para o que você faz com a imagem: o que se repete, o que trava, o assunto que aparece e some. As cartas são as mesmas, o peso é que muda.

Preciso estar em terapia para fazer?

Não precisa. As duas convivem bem, e tem gente que leva para a terapia uma frase que apareceu na leitura. Quando o sofrimento está apertando o dia a dia, o começo é psicoterapia ou médico, e a leitura pode vir depois.

Para quem essa leitura não serve?

Rende pouco quando o que você quer é garantia sobre o que vem, quando o sofrimento está agudo agora e pede acompanhamento, ou quando a expectativa é que a decisão saia da sua mão. Dúvida de advogado, médico ou contador também é com eles.

Qual formato de consulta é o mais indicado?

Para um assunto só, 30 minutos pelo WhatsApp (R$157) costuma dar conta. Para temas embolados, 60 minutos (R$197) rende mais. A videochamada (R$257) é para quando você quer ver as cartas na tela enquanto conversamos.

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