O que ele sente por mim no tarot: o que cada carta mostra
A carta não lê a cabeça de outra pessoa. O que cai na mesa quando você pergunta o que ele sente é o vínculo: o que você deposita nessa pessoa, o que ainda espera dela e o que já percebeu sem dizer em voz alta. Copas costumam falar de movimento e de recuo, Espadas de indecisão e de ruído, A Lua de falta de clareza. É a sua parte da história, e é nela que dá para mexer.
A carta não lê a cabeça de outra pessoa. O que cai na mesa quando você pergunta o que ele sente por você é o vínculo: o que você deposita nessa pessoa, o que ainda espera dela e o que já percebeu sem dizer em voz alta.
Isso rende mais do que parece. O que a outra pessoa sente fica do lado dela, fora do seu alcance. A sua espera, o quanto você se disponibiliza e o que você vem aceitando para a coisa continuar de pé ficam do seu lado da mesa, e é essa parte que dá para mexer.
O que cai na mesa quando a pergunta é sobre outra pessoa
É comum que alguém chegue com a pergunta pronta e, antes da primeira carta cair, já tenha entregado o material inteiro da leitura. Conta que ele some por três dias e volta como se nada tivesse acontecido, que evita cobrar para não parecer carente, que ele disse que não queria nada sério, e emenda: mas ele mudou muito nos últimos meses.
Quando você me descreve essa pessoa, você monta uma figura com pedaços: o que ela fez, o que ela disse pela metade, o tempo que demora para responder e, principalmente, o que você preenche onde ela ficou calada. Esse preenchimento é o que a cabeça faz diante de informação faltando.
As cartas caem em cima dessa construção. Duas pessoas podem tirar o Dois de Copas na mesma pergunta e sair da mesa com leituras diferentes, porque o que muda não é a carta: é o que cada uma faz com ela.
A carta não me diz o que ele sente. Ela me diz o que você faz com o silêncio dele.
É comum que alguém veja o Dois de Espadas, a figura vendada com as espadas cruzadas no peito, e diga rindo: esse aí é ele. Costumo devolver a pergunta para o outro lado da mesa e perguntar há quanto tempo você está sentado(a) aí, esperando ele tirar a venda sozinho.
A escuta psicanalítica ensina que aquilo que a gente diz sem querer costuma dizer muito. Numa pergunta sobre o sentimento de outra pessoa, o que salta aos olhos raramente está na carta que caiu: está no jeito como você conta a história, no detalhe que você repete e no que você corre para justificar antes de eu perguntar.
Carta a carta: o que costuma aparecer nessa pergunta
O sentido de uma carta muda com a pergunta, com a posição em que ela caiu e com a pessoa que está do outro lado da mesa. Nessa pergunta em particular algumas cartas aparecem com mais frequência, e é comum que elas digam mais sobre o vínculo do que sobre a pessoa ausente. É comum também que alguém aponte para uma delas e diga, com alívio na voz: então é recíproco.
Cartas de movimento em direção a você
Ás de Copas Uma mão sai da nuvem segurando uma taça que transborda. Costuma marcar sentimento recém-nascido, ainda sem forma, e é comum que a pessoa fique com a parte bonita e esqueça a parte frágil.
Dois de Copas Duas pessoas de pé, uma diante da outra, cada uma com a sua taça na mão. É a que mais tranquiliza nessa pergunta, e também a que mais se confunde com compromisso. Troca é uma coisa, projeto em comum é outra.
Cavaleiro de Copas O cavalo em passo lento e a taça oferecida à frente. Costuma falar do gesto concreto, a mensagem, o convite, a frase dita. Fala de movimento, não de permanência.
Os Enamorados Duas figuras, uma presença acima delas e alguém no meio precisando escolher. Raramente falo em amor verdadeiro quando ela cai aqui. Com frequência o assunto é o desconforto de escolher, e a escolha que um dos dois está adiando.
O Sol Luz sem sombra, uma criança montada num cavalo branco, o muro baixo atrás. Quando aparece nessa pergunta, é comum que a pessoa já soubesse a resposta e estivesse na mesa procurando confirmação.
Dez de Copas Um casal de costas, duas crianças dançando, dez taças formando um arco no céu. É a cena completa. Vale reparar se o que apareceu é a relação que existe hoje ou o quadro que você já pendurou na parede.
Cartas de recuo, dúvida e distância
Quatro de Copas Alguém sentado debaixo da árvore, de braços cruzados, três taças na frente e uma quarta oferecida que a figura não olha. Costuma falar de desinteresse educado, a recusa sem briga, que dói mais que confronto porque não dá para discutir com falta de fome.
Oito de Copas Uma figura de costas subindo a encosta, deixando oito taças arrumadas para trás. É a saída sem escândalo, de algo que chegou a ser bom.
Sete de Copas Sete taças no ar, cada uma com uma coisa dentro, e uma silhueta parada olhando. Fala de muita possibilidade na cabeça e pouca no chão, e é comum que sirva tanto para quem está ausente quanto para quem está perguntando.
Dois de Espadas Venda nos olhos, duas espadas cruzadas no peito, a água atrás. Costuma marcar indecisão, e a pergunta que costumo fazer é o que, na sua espera, está deixando essa indecisão confortável para os dois.
A Sacerdotisa Sentada entre duas colunas, com um livro meio escondido no colo. Costuma indicar algo guardado, que às vezes é só um assunto ainda sem nome. Costumo falar de paciência quando ela cai, e costumo perguntar até quando essa paciência combina com a sua vida.
O Eremita Um velho parado no alto, lanterna na mão, o passo curto. Costuma falar de recolhimento, e a parte difícil raramente é o recolhimento: é aceitar que ele pode não ser sobre você.
Cinco de Copas Manto preto, três taças caídas atrás, duas de pé que a figura ainda não viu. Costuma falar de luto, alguém ocupado em perder alguma coisa, que pode ser uma relação anterior ou uma versão de si.
Cavaleiro de Espadas Cavalo a galope, espada erguida, o vento contra. Intensidade rápida, que na maioria das vezes vai embora no mesmo ritmo em que chegou.
Cartas que assustam antes de significar
É comum que alguém puxe A Torre nessa pergunta e leve a mão à boca antes de eu falar. Costumo pedir que descreva o que está vendo, e a descrição costuma vir assim: essa já caiu faz tempo, eu que continuei morando lá dentro. Escrevi com calma sobre ela no significado da Torre, e sobre o que costuma restar depois em A Estrela.
Três de Espadas Três espadas atravessando um coração, chuva atrás. Nomeia uma dor que costuma já estar sendo vivida, e é comum que a pessoa reconheça a dor antes de reconhecer que ela tem nome.
A Torre O raio, a coroa deslocada, os corpos caindo. Costuma falar de uma estrutura que já estava rachada antes da queda.
O Diabo Duas figuras acorrentadas, e as correntes largas o bastante para sair. Costuma falar de vínculo com peso, atração e apego juntos, e é comum que a própria pessoa saiba disso antes de sentar na mesa.
A Morte Uma figura em armadura, um campo, a foice seguindo o trabalho. Costuma falar de fim de forma, não de fim de pessoa: aquilo talvez não volte ao formato antigo, e insistir no formato antigo costuma custar caro.
O Enforcado Pendurado pelo pé, de cabeça para baixo, com o rosto tranquilo. Costuma falar de suspensão. É comum que o tempo passe igual para os dois lados e só um lado esteja contando os dias.
Nove de Espadas Alguém sentado na cama, o rosto nas mãos, nove espadas na parede. Nessa pergunta, costuma falar da sua cabeça às três da manhã.
A Lua, a carta que mais chega junto dessa pergunta
É comum que a pergunta chegue já com a carta dentro: perguntei o que ele sente e saiu A Lua, isso quer dizer que ele está mentindo?
Um caminho entre duas torres, dois animais uivando, um caranguejo saindo da água. A luz é suficiente para andar e insuficiente para reconhecer o que está ao lado do caminho.
A Lua não é a carta da mentira. É a carta do que ainda não está claro.
Ela costuma cair com pontaria desconfortável quando a situação está sendo lida por sinais no lugar de fatos: o tempo de resposta, a foto nova, quem viu o story. Decisão tomada no escuro costuma sair cara, e a pergunta que costumo devolver é o que você sabe e o que você está deduzindo.
A vizinhança muda tudo. A Lua ao lado do Dois de Espadas ou do Enforcado costuma falar de uma indefinição que os dois lados estão sustentando em silêncio. A Lua ao lado do Sol costuma indicar que a informação existe e o difícil é olhar para ela.
Quando a mesma pergunta volta a cada quinze dias
É comum que a pergunta volte quinze dias depois, com cartas diferentes e a mesma fome. A pessoa olha a mesa, vê o Nove de Espadas de novo e diz, meio sem graça: eu sei que já perguntei isso.
Fora do tarot isso tem um nome simples: repetição. O que se busca com frequência não é informação nova, é alívio, e o alívio de uma tiragem dura pouco, porque o que incomoda continua acontecendo do lado de fora da mesa.
Quando esse padrão aparece, costumo dizer em voz alta o que estou vendo, e é comum que a tiragem mude de assunto ali mesmo, da cabeça dele para a sua semana. Quando a pergunta que gruda é a da volta, tem um caminho parecido no que escrevi sobre ele vai voltar.
Perguntas que costumam abrir mais que essa
É comum que a pessoa chegue perguntando o que ele sente e, no meio da consulta, mude a pergunta sozinha. É comum também que o Quatro de Copas volte à mesa nesse momento e ela diga, olhando a taça que a figura ignora: essa aqui sou eu.
O que eu sinto quando ele some?
Essa é sua e tem resposta. Costuma abrir mais em vinte minutos do que meses inteiros investigando a cabeça dele, porque o material está todo do seu lado da mesa.
O que eu venho aceitando para isso continuar de pé?
As cartas costumam ficar mais fáceis de ler aqui, porque o assunto é uma coisa que você vive todo dia e reconhece na hora, mesmo quando prefere não olhar.
E se essa pessoa continuar exatamente assim?
Não é pessimismo, é exercício. Para algumas pessoas a resposta chega antes da carta seguinte, e vem com um alívio estranho de quem parou de esperar uma versão futura de alguém.
Dá para decidir o que você vai fazer antes de descobrir o que ele sente.
Qual leitura costuma servir para essa dúvida
É comum que alguém olhe o Dez de Copas no fim de uma leitura e diga: era isso que eu queria que fosse. A escolha da tiragem costuma partir daí, do que você quer olhar de perto agora.
Para olhar o vínculo com essa pessoa, o Coração Aberto (R$57) trata do que circula entre vocês, do que trava e da parte que depende de você.
Se a dúvida é mais sobre você do que sobre ele, o que se repete nas suas escolhas e o que você procura sem perceber, o Meu Coração (R$57) costuma render mais.
Se a história é recente e ainda sem contorno, o Quem é esse crush olha para esse começo, e chega em áudio pelo WhatsApp, sem marcar horário.
Para uma pergunta só, bem formulada, tem a leitura escrita de 1 pergunta (R$57), em até 24 horas. Para conversar com ida e volta, os 30 minutos ao vivo no WhatsApp (R$157) acompanham a pergunta mudando enquanto a leitura acontece. Se for a sua primeira vez numa consulta, tem também como se preparar.
O que a mesa costuma devolver nessa pergunta é o tamanho do lugar que essa pessoa ocupa em você, e o que esse lugar está custando na sua semana. Vira um convite: parar, olhar esse tamanho e escutar o que, em você, já sabia disso antes das cartas.
Fazer a leitura Coração Aberto
Perguntas frequentes
Existe uma carta que mostra que ele gosta de mim?
No meu trabalho eu não trato carta como prova do sentimento de outra pessoa. Ás de Copas, Dois de Copas e Cavaleiro de Copas costumam aparecer quando há movimento e interesse, e ainda assim falam do que circula entre vocês, não da cabeça dele.
O tarot lê o sentimento de outra pessoa?
O que aparece na mesa é a sua relação com essa pessoa: o que você deposita, o que ainda espera e o que já percebeu sem dizer em voz alta. Essa é a parte em que dá para mexer. O sentimento dele quem resolve é ele, em voz alta.
O que significa A Lua quando eu pergunto sobre ele?
Costuma falar de falta de clareza, não de mentira. Ela cai com frequência quando a situação está sendo lida por sinais no lugar de fatos. Antes de decidir alguma coisa, costumo perguntar o que você sabe e o que você está deduzindo.
E se sair uma carta ruim, é mau sinal?
Torre, Morte, Três de Espadas e Diabo assustam pela imagem. Na prática costumam nomear algo que já está em curso, e dar nome costuma ser o começo de conseguir mexer. O que pesa numa leitura é o conjunto: a carta ao lado, a posição e a sua pergunta.
Qual leitura serve para essa dúvida?
Coração Aberto (R$57) para o vínculo com essa pessoa. Meu Coração (R$57) quando a dúvida é mais sobre você do que sobre ele. Para conversar com ida e volta enquanto a leitura acontece, 30 minutos ao vivo no WhatsApp (R$157).